Música | Quarteto para o Fim dos Tempos
No dia 21 de setembro, a Casa do Passal, em Cabanas de Viriato, acolherá uma interpretação do emblemático Quarteto para o Fim dos Tempos de Olivier Messiaen. Composta em 1941, enquanto Messiaen se encontrava prisioneiro num campo de concentração alemão, esta obra reflete a profundidade emocional e espiritual de uma experiência de sofrimento e esperança, sendo uma das mais poderosas declarações musicais sobre a dor humana e a transcendência.
O Quarteto para o Fim dos Tempos não é apenas uma obra de grande beleza musical, mas também um testemunho de resistência e da capacidade de encontrar luz nas trevas. A ligação entre esta obra e a figura de Aristides Sousa Mendes, o cônsul português que desobedeceu às ordens do governo e salvou milhares de judeus do Holocausto, surge naturalmente. Ambos, de formas diferentes, desafiaram sistemas opressivos e tiveram um impacto profundo na vida daqueles que atravessaram os seus caminhos.
Este concerto oferece uma reflexão sobre o sofrimento e a resistência, colocando a obra de Messiaen em diálogo com a coragem de indivíduos que, como Sousa Mendes, tomaram decisões difíceis em tempos de grande adversidade. O ambiente intimista da Casa do Passal é o cenário ideal para uma interpretação que promete ser uma experiência profunda e transformadora.
Os intérpretes deste concerto são músicos de destaque no panorama musical português e internacional. Tomás Soares, violinista da Orquestra Sinfónica Portuguesa – Teatro Nacional São Carlos e fundador do Quarteto Tejo, é um dos principais nomes da música de câmara em Portugal. Com uma formação sólida, que inclui estudos na Academia Nacional Superior de Orquestra e na Folkwang Universität der Kunst, Tomás tem-se apresentado em locais prestigiados como a Fundação Gulbenkian, Casa da Música e Philharmonie de Paris. A sua carreira inclui também colaborações com músicos como Andrey Baranov e Ophélie Gaillard, e a sua presença no concerto é uma garantia de uma interpretação vibrante e expressiva.
Ao seu lado, Filipe Gaio Pereira, pianista português de renome, traz à performance a sua vasta experiência, tanto em interpretação solo como em música de câmara. Com uma formação que passa pela Escola Superior de Música de Lisboa e pela Escola Superior de Música da Catalunha, Filipe tem sido um convidado frequente de festivais e tem-se destacado em recital e concerto com a Orquestra Sinfónica da ESML, além de ter trabalhado com professores de renome como Jeffrey Swan e Henri Sigfridsson. A sua habilidade técnica e a sensibilidade interpretativa serão fundamentais para a realização desta obra intensa e desafiadora.
No violoncelo, Bernardo Calvet Nabais, diplomados por várias instituições de prestígio, incluindo o Conservatorium van Amsterdam, é um músico cuja carreira tem sido marcada por conquistas e colaborações de grande relevo. Membro da Orquestra de Câmara de Cascais, Bernardo também é reconhecido pela sua contribuição para a música de câmara, tocando com músicos de renome e participando em projetos de grande importância artística. O seu talento e sensibilidade trarão à peça a profundidade necessária para a interpretação de Messiaen, cuja música exige uma combinação de técnica e emoção intensas.
Por fim, Igor Ferreira Varela, clarinetista solo da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, completa este quarteto com a sua notável técnica e expressividade. Com uma carreira que inclui atuações em importantes orquestras portuguesas e internacionais, Igor é também membro fundador do Quinteto de Sopros do Dão, e tem se destacado tanto em projetos orquestrais como em música de câmara. A sua interpretação de Messiaen, com a sua característica sensibilidade e precisão técnica, será essencial para dar vida à complexidade emocional da obra.
Juntos, estes quatro músicos formam um quarteto de excelência, cujo desempenho do Quarteto para o Fim dos Tempos será uma reflexão profunda sobre a resistência, a transcendência e a esperança, temas que permeiam tanto a obra de Messiaen quanto as trajetórias individuais de cada um dos intérpretes. Este concerto é, portanto, uma oportunidade única de experimentar a força de uma obra monumental executada por alguns dos mais brilhantes músicos da sua geração.
Tomás Soares, violino
Bernardo Calvet Nabais, violoncelo
Igor Ferreira Varela, clarinete
Filipe Gaio Pereira, piano
18h:30