Dia Mundial da Poesia
No âmbito do Dia Mundial da Poesia, o Município relembra um dos seus vultos poéticos.
A DIFERENÇA
As mesmas causas tive que os poetas
bem souberam cantar em suas liras.
E digo ao coração: porque suspiras,
Se as mesmas tintas tens, iguais paletas?
Sinto porém que apenas vagas tretas,
ó pobre talento, bem as tiras,
e nem sequer pequenas vagas de iras
eu consigo drenar para as valetas!
E pobre não me vejo de razões,
mas sinto que me perco nas lições
da arte de cantar o que é sofrer.
Não minto, como eles mentiram.
Só que disseram tudo o que sentiram,
e do que eu sinto, nada sei dizer.
Eduardo Silvestre
Notas Biográficas
Eduardo Silvestre nasceu a 6 de dezembro de 1902, em Carregal do Sal. Ainda muito pequeno, partiu com a família para a Figueira da Foz, onde fez a Instrução Primária e frequentou a Escola Comercial Dr. Bernardino Machado, não tendo, no entanto, completado o 2º ano.
Com pouco mais de 11 anos, sai de casa dos pais e vai trabalhar para Alter do Chão. Aos 16, parte para África, Angola, onde viveu durante longos períodos, trabalhando como técnico de contas.
De regresso a Carregal do Sal, trabalha, durante 4 anos, na secretaria do então Colégio Nuno Álvares.
Homem dado à cultura foi um conhecido e ativo opositor ao regime do Estado Novo.
Foi presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Carregal do Sal.
É autor de várias comédias musicais, entre as quais "Sonho da Princesa", "Beira Alta", "Amores da Beira" e ainda de várias revistas.
Colaborou em diversos jornais: "Voz da Justiça", "O Figueirense", e "A Voz da Figueira", da Figueira da Foz; "Defesa da Beira", de Santa Comba Dão e, mais recentemente, no "Página Beirã". Foi cronista em vários jornais. Efémera colaboração, também, com a Rádio Caramulo.
Durante a Segunda Grande Guerra, na BBC, foi longa a sua colaboração, como cronista e poeta, sendo os seus trabalhos, tanto na "Voz de Londres" como na "Retiro da Blitz", altamente valorizados com a direção excecional do grande jornalista Fernando Pessa. Por motivos óbvios, eram empregados os seus pseudónimos: Tavares Gamboa e Manuel da Quinta.
In "Poesias : colectânea de textos de poetas de Carregal do Sal"