Jerusalém homenageou Aristides de Sousa Mendes
A Câmara Municipal de Jerusalém atribuiu ontem, dia 08 de novembro de 2002, o nome do diplomata português Aristides de Sousa Mendes a uma praça em homenagem ao gesto heroico de salvamento de milhares de judeus durante o Holocausto.
O Prefeito de Jerusalém, Moshe Lion, afirmou “Este pequeno canto de Jerusalém, a cidade eterna, agora carrega o nome de um herói”. A cerimónia decorreu no bairro Kiryat Hayovel, em Jerusalém, com a presença de vários descendentes dos judeus salvos, bem como de familiares do cônsul.
Moshe Lion, no seu discurso referiu a certeza de “Pensem nos muitos milhares que passarão por aqui todos os dias. Muitos deles, talvez, judeus que foram salvos pela bravura do embaixador Sousa Mendes”. O Prefeito evidenciou ainda “A história não foi rápida em reconhecer o seu sacrifício e a sua coragem, mas hoje precisamos lembrar esses atos corajosos mais do que nunca. A sombra do antissemitismo esconde-se ao nosso redor em todas as esferas da vida. Neste momento, precisamos de relembrar a bravura deste herói”.
A Dr.ª Olivia Mattis, presidente da Sousa Mendes Foundation e descendente de um judeu salvo, referiu “Há doze anos eu e um grupo de outros começamos esta fundação para dar crédito a este herói que não é muito conhecido, e deveria ser”. Mattis defendeu que a história de Sousa Mendes foi inicialmente suprimida pela ditadura de Salazar devido à sua glorificação da insubordinação, mas mesmo depois de Portugal se tornar uma democracia em 1974 “havia forças no governo português leais ao antigo regime que mantinham a história reprimida”.
Presente na cerimónia a vice-prefeita de Jerusalém, Fleur Hassan-Nahoum, defendeu “Há muito poucas pessoas que realmente salvaram judeus durante o Holocausto. Este homem não é reconhecido”, declarou ainda desejar dar mais visibilidade à praça recém-inaugurada com arte pública ou uma estátua.
O embaixador de Lisboa em Israel Jorge Cabral elogiou o “homem corajoso e extraordinário, um ser humano e um diplomata que salvou os judeus de um destino atroz e desprezível”. “Prestar homenagem a este homem hoje é uma oportunidade de olhar para dentro de nós mesmos em busca de valores de paz, amor, humanidade e compaixão um pelo outro”, referiu. Jorge Cabral defendeu “Não podemos compreender o presente nem o futuro sem saber o que aconteceu no passado. Devemos lembrar sempre”.
Aristides de Sousa Mendes, vai somando referências a nível mundial que honram quer o homem quer o gesto humanitário realizado, que importa perpetuar e tomar como exemplo para a eternidade.