Secretária de Estado da Proteção Civil - Patrícia Gaspar - encerrou o seminário que juntou agentes da Proteção Civil da região no Centro Cultural de Carregal do Sal
O Município de Carregal do Sal, em parceria com o Curso Profissional Técnico de Proteção Civil, do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, organizou o evento tendo os diversos agentes e elementos da Proteção Civil acedido com entusiasmo ao repto.
No dia 5 de maio, o Centro Cultural acolheu a iniciativa que trouxe ao Concelho, entre outras individualidades, a Secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, o Presidente da ANEPC – Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Duarte Costa e diversos palestrantes envolvidos numa temática que diz respeito a todos.
Essa referência foi desde logo deixada na sessão de abertura pelo Edil carregalense, na qualidade de responsável máximo da Proteção Civil Municipal de Carregal do Sal, Paulo Catalino Ferraz, que reiterou a grandiosidade do tema em debate augurando que fosse uma jornada profícua para todos.
Ainda na sessão de abertura usou da palavra Miguel Ângelo David, Comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil de Viseu Dão Lafões. O responsável começou por relembrar que existia um antes e um após 2017, inclusive no que dizia respeito à Proteção Civil e ao empenho na captação de cadetes e infantis para as escolinhas de Bombeiros. Dirigiu, ainda uma palavra de reconhecimento ao coordenador e diretor do Curso Profissional Técnico de Proteção Civil do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, Diogo Figueiredo pelo incentivo e mobilização dos jovens para uma área que certamente alavancará a empregabilidade para muitos deles.
De imediato, foi dado início ao 1.º painel do Seminário.
Subordinado ao tema “A Proteção Civil na CIMVDL”, o painel foi moderado por Maria João Marques, diretora do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal e contou com a participação de diversos palestrantes.
André Mota, chefe de equipa multidisciplinar da Unidade de ambiente e da Proteção Civil da Comunidade Intermunicipal fez, o enquadramento e caraterização da região e reportou-se depois aos projetos em curso no âmbito deste domínio salientando a constituição do Gabinete Técnico Florestal intermunicipal; o projeto Life Nieblas (implementado no terreno há cerca de um ano no Concelho de Carregal do Sal); ao Life Landscape Fire e às diversas ações e resultados decorrentes destes.
Tiago Augusto, coordenador da Unidade Planeamento de Eventos, Protocolo de Estado e Gestão de Crises do INEM foi o orador seguinte. O técnico abordou a questão dos dispositivos de emergência médica em eventos salientando as alterações na legislação designadamente ao nível dos pareceres técnicos para a realização dos diversos tipos de eventos.
José Primo e José Antunes, respetivamente, Subchefes de 1.ª da Companhia de Sapadores de Coimbra focaram as suas intervenções na primeira abordagem às matérias perigosas e aos procedimentos a adotar e diligências a promover sublinhando que, apesar de a probabilidade da sua ocorrência ser reduzida, quando acontecem são invariavelmente graves.
Último orador do 1.º painel, Rui Nogueira, 2.º Comandante dos Bombeiros Sapadores de Viseu focou a sua intervenção nos incêndios urbanos em zonas históricas. Assumindo serem de grande complexidade sustentou o facto com base nos acessos, no recheio dessas habitações e nos obstáculos diversos com que se deparam ao nível de fios e cabos elétricos, entre outros, que apontou como fatores potenciadores da velocidade de propagação dos incêndios. Terminou com a alusão a três componentes diferenciadores a considerar: técnica, comportamental e operacional.
Após uma breve pausa, regresso aos trabalhos. O 2.º painel foi moderado por Duarte Costa Presidente da ANEPC – Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que acumulou ainda a tarefa de palestrante. Na introdução ao painel, o responsável começou por se referir ao paradigma interior/litoral para afirmar que cabe aos autarcas dos territórios, apelidados de baixa densidade, de criar caminhos no sentido da solução dos impactos da designada interioridade. E concluiu que temos de olhar para o interior com base numa discriminação positiva.
Sofia Carmo, Chefe de Divisão de Ambiente, Desenvolvimento e Sociedade do Município de Pedrógão Grande, falou sobre biodiversidade e simultaneamente alterações climáticas. Ao recordar os incêndios que assolaram o seu Município em 2017, a palestrante apresentou a estratégia e projetos implementados no território após essa fatídica ocorrência para preservar a biodiversidade.
Artur Costa, Coordenador do Serviço Municipal de Proteção Civil do Município de Seia foi o orador que se seguiu. Com o recurso a estudos de caso, o responsável deu nota das ações que, desde 2011, estão em curso na área territorial da Serra da Estrela para mitigar as consequências dos incêndios, designadamente ao nível da gestão do risco dessas ocorrências sublinhando a importância de medidas como o fogo controlado.
Duarte Costa assumiu depois o papel de orador. O convidado começou por afirmar que a Proteção Civil constitui um exemplo em que as políticas do Estado não se definem pelo Interior e pelo Litoral; têm, isso sim, riscos diferentes, considerando, no entanto, que todas as zonas estão sobrepostas com meios aéreos para este domínio. Continuou afirmando que o primeiro nível da Proteção Civil nasce no plano municipal, até porque 90% das ocorrências resolvem-se a este nível. Prevenção foi a palavra de ordem deixada pelo responsável que afirmou perentoriamente que é imperativo preparar o território para o que aí vem concluindo e, por isso, deve planear-se para o mais provável, mas acautelar o mais grave.
No encerramento do Seminário, Paulo Catalino Ferraz, reiterou a necessidade de se reconhecer o que está mal e trabalhar no sentido de o mitigar, reconhecendo os que o fazem. O Autarca aproveitou a presença da Secretária de Estado da Proteção Civil para reafirmar a vontade e o anseio de ver instalado no seu Concelho um Centro Operacional da Proteção Civil que sirva a parte sul da região da CIM Viseu Dão Lafões. E terminou afirmando “estamos preparados para esta batalha e juntos, inspirados por Aristides de Sousa Mendes, acredito que consigamos fazer muito mais e melhor”.
Patrícia Gaspar, Secretária de Estado da Proteção Civil encerrou depois os trabalhos. Ao afirmar que “este evento era revelador da importância da Proteção Civil à escala municipal, a governante destacou o dinamismo que se tem incutido neste âmbito e por isso endereçou os parabéns a todos os envolvidos, destacando a ousadia do tema do Seminário”.
Patrícia Gaspar registou, ainda, a evolução do papel das autarquias ao nível da Proteção Civil e deixou uma mensagem de confiança no sistema consolidado na alteração do modelo territorial da proteção Civil que, no seu entender, vai estimular a proximidade entre os diversos agentes. Terminou com uma referência às Equipas de Intervenção Permanentes, cada vez em maior número no território nacional, deixando o desafio para continuarmos a ser resilientes e nunca desistirmos.
Encerrado o Seminário, seguiu-se uma visita à exposição estática de meios que, durante todo o dia, decorreu no Largo do Município e, já no edifício dos Paços do Concelho, a Secretária de Estado assinou o Livro de Honra do Município.