Carregal do Sal inaugurou ciclovia “Caminho da Esperança” e reforçou aposta na memória, cultura e turismo
O Município de Carregal do Sal inaugurou, no passado dia 20 de março, a ciclovia “Caminho da Esperança”, um projeto inspirador que homenageia a ação humanitária de Aristides de Sousa Mendes e reforça a valorização do território ao nível cultural, turístico e histórico.
A cerimónia contou com a presença do Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, que presidiu também à sessão protocolar realizada no Salão Nobre Aristides de Sousa Mendes. Durante a sessão, foi formalizada a certificação da Estação Náutica de Carregal do Sal, no âmbito da Rede de Estações Náuticas de Portugal; apresentado o futuro Centro Interpretativo do Vinho do Dão e anunciado o Festival Internacional de Cinema & Direitos Humanos – Aristides de Sousa Mendes.
A sessão reuniu diversas entidades, entre as quais José Ribau Esteves, presidente da CCDR Centro, Gisela Sousa, coordenadora da rede nacional de estações náuticas e Francisco Dias, diretor do festival.
Na sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal, Paulo Catalino Ferraz, destacou o simbolismo da ciclovia, evocando o legado do cônsul português e sublinhando o impacto do seu ato: “Se hoje todos eles representassem aquilo que é a descendência de todos os que salvou, estaríamos a falar em cerca de 750 mil pessoas”.
Com uma extensão de cerca de 11 quilómetros, o “Caminho da Esperança” recria o percurso feito pelos refugiados salvos por Aristides de Sousa Mendes durante a Segunda Guerra Mundial. Mais do que um trajeto físico, trata-se de um itinerário de ligação entre pessoas, lugares e gerações, promovendo o património natural e histórico do concelho.
O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro, José Ribau Esteves, salientou a importância que "a vida de certas pessoas tem, só pela felicidade que provoca noutras" e Pedro Machado, Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, reforçou a "importância de iniciativas" como a ciclovia, para atrair pessoas aos territórios e, acima de tudo, "porque projetos como esses levam muita felicidade às comunidades locais".
A inauguração incluiu o descerramento de uma placa evocativa e a plantação de uma “Oliveira Sagrada”, iniciativa da Rede Portuguesa de Clubes UNESCO. O momento foi ainda enriquecido por uma encenação do grupo de teatro NACO, que apresentou um dos
quatro momentos performativos associados às estações do percurso, proporcionando uma experiência interativa aos participantes.
O programa prosseguiu com um almoço na Quinta de Vinhos Santa Maria – Ribeiro Santo, seguindo-se a visita ao Museu Aristides de Sousa Mendes - Casa do Passal, onde foi apresentado o Festival Internacional de Cinema & Direitos Humanos – Aristides de Sousa Mendes.
Este festival, dedicado à promoção da cidadania e dos direitos humanos, decorrerá no mês de novembro, com sessões em instituições de referência como a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Aga Khan, em Lisboa, bem como no próprio Museu, em Cabanas de Viriato. A cerimónia de entrega de prémios está agendada para o dia 10 de dezembro e incluirá mais de uma dezena de categorias distintas.
A apresentação do festival ficou ainda marcada pela estreia do documentário “Renascer sem fronteiras”, realizado por Rita Ilhéu, Paula Gabriel e Sónia Mouta, que retrata histórias de migrantes e refugiados que encontraram no interior de Portugal um novo lugar para viver.
Com esta iniciativa, Carregal do Sal reforça a sua identidade enquanto território de memória, solidariedade e futuro, afirmando-se como destino que alia património, cultura e inovação.