IA Camp reúne em Carregal do Sal quem quer usar a Inteligência Artificial na Administração Pública, e usá-la bem
Encontro de 13 e 14 de outubro junta municípios, administração central, especialistas e empresas para passar da discussão teórica a casos concretos
Carregal do Sal, outubro de 2026 – O Auditório do Centro Cultural de Carregal do Sal recebe, nos dias 13 e 14 de outubro, o IA Camp – Inteligência Artificial na Administração Pública – Desafios e Oportunidades. Durante dois dias, representantes de municípios, da administração central e regional, especialistas e empresas vão analisar soluções, experiências e casos reais de utilização da IA no setor público, com o objetivo de transformar conhecimento em capacidade de ação.
A iniciativa é da Câmara Municipal de Carregal do Sal, que defende uma tecnologia ao serviço das pessoas. "A Inteligência Artificial deve estar ao serviço de uma Administração Pública mais próxima, eficiente e capaz de responder melhor às necessidades das pessoas", afirma António Queirós, responsável pela Unidade de Inovação, Modernização e Cultura, do Município de Carregal do Sal. "Mais do que conhecer novas ferramentas, esperamos que os participantes saiam de Carregal do Sal com uma visão mais concreta das oportunidades da IA, mas também conscientes da responsabilidade, do conhecimento e da capacidade crítica necessários à sua utilização no setor público."
Uma realidade presente
Para Bartolomeu de Noronha, Presidente do Conselho Científico da Associação Observatório Autarquias Locais, o tempo da espera terminou. "A Inteligência Artificial já não é uma realidade futura para a Administração Pública. É uma realidade presente e temos de estar preparados para a utilizar", sublinha.
O responsável destaca o potencial da tecnologia para simplificar procedimentos, apoiar a tomada de decisão e reduzir tarefas repetitivas, mas alerta que esta transformação "exige conhecimento, capacitação e uma compreensão muito clara dos limites e das responsabilidades" associados à sua utilização. Na sua perspetiva, a questão central mudou: "O grande desafio já não é saber se a Administração Pública vai utilizar Inteligência Artificial, mas como poderá fazê-lo de forma responsável, segura e juridicamente adequada." E acrescenta: "Não basta adquirir tecnologia: é necessário criar, nas organizações públicas, capacidade para compreender, avaliar e controlar a sua utilização."
Uma oportunidade também para os territórios de menor dimensão
O IA Camp quer ainda mostrar que a IA não é uma oportunidade reservada às grandes organizações. Segundo Bartolomeu de Noronha, a tecnologia "pode também permitir que municípios de menor dimensão tenham acesso a instrumentos que aumentem a sua capacidade de resposta e melhorem os serviços que prestam". O principal beneficiário, defende, não será a própria Administração: "serão os cidadãos e as empresas que diariamente se relacionam com ela."
Perspetiva semelhante tem Bruno Rodrigues, CEO da Skilltech, para quem o impacto nos territórios de baixa densidade é um dos principais ganhos. Serviços públicos em que os cidadãos podem confiar e equipas que, libertas do trabalho repetitivo, ganham tempo para analisar, planear e responder a quem servem é algo que, afirma, "pesa ainda mais nos territórios de baixa densidade, onde as equipas são pequenas".
Pessoas no centro: validação humana e IA ao serviço de quem trabalha
Quanto à forma de adotar a tecnologia, Bruno Rodrigues é claro: "A questão já não é se a Administração Pública vai usar inteligência artificial, é se a vai usar bem: com inputs humanos à entrada e validação humana à saída."
O CEO da Skilltech defende uma utilização jurídica e moralmente correta, que cumpra o Regulamento Europeu da IA, o RGPD e as regras de Cibersegurança. Para si, a IA "não deve servir para substituir pessoas, mas para aumentar a qualidade do trabalho de quem executa as tarefas". A analogia que escolhe é simples: "É como passar da enxada para o trator: deixamos o esforço físico para nos concentrarmos em saber como arar o campo."
A visão converge com a da autarquia anfitriã. "A IA não deve substituir a dimensão humana da Administração Pública; deve ampliar a sua capacidade de servir melhor as pessoas", defende António Queirós.
Preparar as entidades públicas para uma adoção responsável
Num contexto de crescentes exigências de eficiência, transparência e conformidade com o Regulamento Europeu da Inteligência Artificial, o IA Camp pretende ser um espaço de preparação prática. Para a Câmara Municipal de Carregal do Sal, o encontro "constitui uma oportunidade para aproximar municípios, administração central e regional e especialistas, promovendo a partilha de conhecimento e uma reflexão prática sobre a adoção responsável da IA", ajudando as entidades públicas a tomar decisões mais informadas e a preparar soluções com impacto positivo nos territórios e na qualidade dos serviços prestados.
Bruno Rodrigues identifica dois públicos a quem o evento se dirige. Por um lado, os trabalhadores, que precisam de mais e melhor informação sobre os seus direitos e deveres e de capacitação adequada para evitar "uma nova era de infoexclusão". Por outro, as instituições, que devem assegurar processos de controlo exigentes desde o momento em que equacionam adquirir um sistema de IA, da proteção de dados pessoais ao registo de todos os sistemas em uso, garantindo que, nos temas sensíveis, a validação final é sempre humana.
Sobre o IA Camp
O IA Camp - Inteligência Artificial na Administração Pública - Desafios e Oportunidades realiza-se nos dias 13 e 14 de outubro, no Auditório do Centro Cultural de Carregal do Sal, com organização da Câmara Municipal de Carregal do Sal, Observatório das Autarquias Locais e Skilltech.