Na procura de Deus: cinco dias, cinco igrejas
Igreja de São Pedro, Oliveira do Conde
Em Oliveira do Conde esta iniciativa foi muito bem acolhida pelo pároco, Pe. Álvaro Arede, e contou com a colaboração da Junta de Freguesia e do Museu Municipal de Carregal do Sal, que divulgaram o evento, proporcionando que estivesse presente um número de pessoas muito significativo.
Depois do acolhimento a todos pelo Pe. Álvaro Arede, Fátima Eusébio iniciou a visita, salientando que, para além dos aspetos histórico-artísticos do edifício, iria fazer uma abordagem aos conteúdos e simbolismo associados ao património, perspetivando a sua compreensão no quadro da dinâmica de interação que se estabelece com os fiéis. Ressaltou que no espaço de uma igreja todos os elementos têm um significado, a sua presença não é meramente acessória ou decorativa. A planimetria, os elementos do presbitério, as estruturas retabulares, a estatuária e pinturas, explanam a Palavra de Deus e são um convite à interrogação, à reflexão, à oração e à vivência da fé por parte da comunidade de fiéis. O património não é um fim em si mesmo, mas sim um meio, um caminho de aproximação a Deus. Também para os não crentes, o conhecimento desses aspetos possibilita a compreensão do património na tessitura das relações e conteúdos que justificam a sua existência.
No que concerne aos aspetos histórico-artísticos ressaltou a importância do espaço da capela-mor, tratando-se o exemplar da Diocese de Viseu que melhor preserva os elementos arquitetónicos do período medieval, concretamente do tardo-gótico. O corpo da igreja e a fachada são posteriores, tendo sido totalmente destruída a primitiva construção, nomeadamente a fachada manuelina. Também do período medieval é o túmulo gótico de Fernão Mendes de Góis, que constitui uma obra de referência da tumulária. Foi apresentada uma breve descrição do mesmo, nomeadamente no que concerne ao jacente e ao programa iconográfico das faces.
Seguiu-se uma abordagem à talha dourada e policromada, que se reporta às duas fases do barroco: o retábulo da capela-mor de estilo barroco joanino, executado por volta de 1735, e os retábulos das capelas laterais de estilo barroco nacional, sendo que o da capela do Santo Cristo data de 1728. Referência especial teve também a imaginária, tanto pelos seus aspetos estéticos, como também pelo seu simbolismo e pela memória das devoções e da fé da comunidade de Oliveira do Conde ao longo dos séculos. Relativamente à escultura de São Pedro ressaltou-se a particularidade da sua invocação, São Pedro da Cadeira, que se celebra a 22 de fevereiro.
Antes de terminar Fátima Eusébio salientou a importância de todos se sentirem corresponsáveis na preservação do património e de abrirmos as portas das igrejas para que todos, crentes e não crentes, possam contemplar a beleza de Deus materializada em obras de arte.