Apresentação do Manual de Identidade Alimentar Viseu Dão Lafões
“Mais do que um manual, um documento de trabalho que potencia produtos locais e pode auxiliar a impulsionar a economia”
O Manual de Identidade Alimentar Viseu Dão Lafões é muito mais do que um simples manual. São 32 páginas que revelam a identidade alimentar do território, assente nos princípios da dieta mediterrânica, resultante de dez meses de trabalho em busca da identidade de um território, concebido com o envolvimento das comunidades de Viseu Dão Lafões, procurando divulgar e, sobretudo despertar para a preservação dos elementos identitários da alimentação das nossas gentes.
Fruto de uma candidatura conjunta dos Grupos de Ação Local do território, nomeadamente a ADRIMAG, a ADD, a ADDLAP e a ADICES, em parceria com a da CIM Viseu Dão Lafões, o Manual foi apresentado no dia 23 de janeiro, no Salão Nobre Aristides de Sousa Mendes, nos Paços do Concelho de Carregal do Sal.
Na sessão de abertura, o Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, Jorge Figueiredo, em representação da Vice-presidente que, por imperativos profissionais, não pôde estar presente na abertura do evento, sublinhou a audácia do projeto, tendo parabenizado todos quantos se envolveram na sua elaboração.
Dora Rodrigues, em representação da ADICES, oradora seguinte, agradeceu o envolvimento dos municípios, parceiros essenciais do projeto que, desde a primeira hora, tal como aconteceu em relação à Carta Gastronómica, anuíram e se desdobraram para a sua concretização.
Coube, depois, às nutricionistas e autoras do trabalho, Maria Inês Paula e Ana Helena Pinto, da Nutrition for Happiness, explanar detalhadamente o Manual de Identidade Alimentar Viseu Dão Lafões destacando o seu contributo enquanto potenciador da identidade alimentar do território e consequentemente das economias locais.
Seguiu-se um momento aberto para interação com o público e já presente naquela sessão, Isabel Azevedo, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, usou da palavra para parabenizar as autoras, felicitar as entidades e pessoas envolvidas no projeto, destacando em termos locais – Cristina Pais, Fernando Marques, Fernanda Henriques (da Confraria Gastronómica e Enófila de Terras de Carregal do Sal), Isabel Santos, Paula Teles, Orísia Silvestre e Rosa Macedo e, destacou de igual modo o papel da nutricionista da Câmara, Bárbara Almeida, cujo lugar em quadro foi recentemente criado, tratando-se de uma medida reveladora do investimento que o Município tem feito nesta área, referindo, a título de exemplo, também o pioneirismo na implementação do projeto Cantinas Verdes, na Escola Básica Nuno Álvares, do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal.
Carlos Bastos, Presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Conde, endereçou os parabéns a todos e destacou três pontos essenciais para a identidade alimentar do território, que, afirmou, importa preservar a montante, referindo-se ao tempo, ao espaço e às práticas culturais, explicando-as, deixando o repto nesse sentido às entidades públicas. Concluiu afirmando que o Manual era um documento de trabalho e os governantes “têm a responsabilidade de diferenciar o que é diferenciador”.
Helena Cruz, da Unidade de Cuidados na Comunidade Aristides de Sousa Mendes, fez uma intervenção no sentido de parabenizar as entidades pelo trabalho desenvolvido e ali apresentado, fundamentalmente por contribuir para a desmistificação da ideia peregrina, de que não existem produtos/recursos no território que permitam uma dieta mediterrânica.
No encerramento da sessão, Jorge Figueiredo voltou a dirigir-se ao público para reconhecer que se estava perante um Manual excelentemente elaborado, cabendo, a partir de agora, a responsabilidade a todos e cada um de nós potenciá-lo. Enfatizou o contributo do Manual para o despertar da importância de determinado tipo de alimentação associado, sendo os mesmos potenciadores específicos dos territórios, falou ainda da responsabilidade acrescida e alvitrou a possibilidade diferenciadora de cada restaurante ter um prato identitário nos seus menus. Concluiu a sua intervenção com a seguinte citação: “ironia é o corpo ter um órgão chamado saudade e não ter no supermercado comida disponível para alimentá-lo”.
No final foi servido um pequeno brunch que, naturalmente incluiu algumas das nossas iguarias identitárias.
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